A palavra “freelancer” já havia aparecido em minha vida de inúmeras formas. Porém, como profissional de Engenharia, esse termo não fazia parte do repertório de possibilidades. Foi somente após aceitar o “karma” de jornalista que a possibilidade de fato se tornou tangível.

Quem sou eu na fila do pão?

Meu nome é Fernanda Desimon, e sou Engenheira Florestal de formação. Fiz minha graduação na Universidade Federal do Paraná, apesar de ter nascido no Rio Grande do Sul. Hoje, faço pós-graduação em Recuperação de Áreas Degradadas (graças ao freelancing) na Universidade Federal de Viçosa. Mas como isso aconteceu e o que ser freelancer tem a ver com isso?

Bem, ironias da vida. Desde criança, gosto de ler e escrever. O gosto era tanto pelo desenho das letras que, antes mesmo de saber escrever, eu já posicionava folhas de papel transparente sobre as letras para tentar copiá-las. As duas primeiras palavras que escrevi na vida foram desse jeito. Nunca vou esquecer: Chico Bento.

Tamanha conexão com esse universo levou as diversas professoras de Língua Portuguesa, Literatura, Filosofia e Redação à unanimidade: vai ser jornalista. Quem sabe escritora? Não perceberam que a teimosia – ou persistência, depende do ponto de vista – me levaria a insistir que meu caminho era na Engenharia.

Assim foi. Escolhi uma Engenharia associada ao que mais me fascinava desde criança: o meio ambiente e as florestas. A paixão pelas árvores e tudo o que as envolve fazia-me levantar nas manhãs gélidas de Curitiba, tomar o café de 1 real do Restaurante Universitário e pedalar até o campus. Apesar da confortante sensação de liberdade da bicicleta, não era exatamente amor por pedalar no frio que me conduzia, mas o fato de a passagem estar cada vez mais cara e a grana cada vez mais curta. E daí veio o primeiro contato com a possibilidade de ser freelancer.

Fui freelancer de várias coisas na vida: atendente de bar, recepcionista de eventos, hostess, telefonista de telemarketing, professora de inglês, tradutora, revisora de textos. Na época, não sabia que isso poderia se tornar uma profissão formal. Quem estudou numa universidade pública sabe o quanto ela é exigente em atenção, e não sobrava muito tempo para outras empreitadas. Apesar disso, eu segui lendo muito e mantendo diários.

Ler e escrever, para mim, é uma ação conjunta, e sempre foi terapêutica. É uma forma de aplacar a curiosidade incessante que me acompanha desde criança. Tendo esse perfil, é difícil manter o interesse por períodos longos num só assunto. Não que perdesse interesse na Engenharia Florestal. Como eu disse, é minha paixão. Mas a curiosidade não satisfeita pode rapidamente se tornar ansiedade ou até depressão.

Foi graças ao interesse em outros assuntos que consegui manter o foco e terminar o curso de Engenharia, que pode se tornar bastante estafante emocionalmente. Ler e escrever, portanto, sempre foi uma ferramenta para me ajudar a lidar melhor com o mundo ao meu redor e dentro de mim. Trabalhar como redatora freelancer estava muito próximo de mim, mas eu ainda não sabia como.

Como vim parar entre os freelancers Contentools?

Como mencionei antes, fazer uma graduação em Engenharia pode ser bastante estafante. Para mim foi, com certeza. Após concluir o curso, entrei num processo profundo de transformação. Por esse motivo, fui morar num Centro Budista no interior do Rio Grande do Sul. É que, entre os vários assuntos que estudei durante a faculdade, um dos que mais me aprofundei foi filosofia budista.

A universidade monopoliza bastante nossa capacidade mental. Por isso, me sentia impedida de fazer algumas coisas importantes para mim, tais como retiros espirituais. Ao me formar, no entanto, essa barreira foi magicamente removida. Foi como se eu fosse um daqueles cachorros que vivem presos e são soltos numa planície que parece infinita. Corri para a liberdade com toda a energia que eu ainda tinha.

Lá no Centro Budista conheci meu professor. Lá, também, achei que tinha me enganado a vida inteira e deveria mesmo abandonar a Engenharia e tudo o que eu havia construído. Não sou de falar ou de esperar muito; se estou convencida que é o que deve ser feito, eu faço. Ou seja, eu apenas fiz isso, sem justificativas, e abandonei tudo o que eu conhecia, para profunda preocupação de alguns amigos… Não, eu não tinha perdido o juízo. Na verdade, a sensação era de que, pela primeira vez, eu estava tendo algum discernimento e fazendo uma escolha lúcida.

Sorte a minha que meu professor não é tão radical quanto eu. Ele me aconselhou a retomar alguns processos que eu havia abandonado e finalizá-los com tranquilidade, e não com a sensação de que eu tinha algo de que fugir. Assim, deixou-me com o desafio de retornar ao “mundo” e aprender a me sustentar por mim, sem perder o foco das práticas que me comprometi a realizar. Como fazer isso?

Novamente, o termo freelancer surgiu. Decidi sair do Centro Budista e descobrir se eu tinha entendido alguma coisa dos ensinamentos que me foram passados. E adivinhe qual foi o primeiro emprego que consegui logo que saí? Isso mesmo pode rir: Jornalista freelancer numa rádio. Fui assessora de comunicação em uma campanha política no interior da Bahia. Não foi a melhor experiência da minha vida, devo dizer. Mas me ensinou muito. A partir disso, aceitei esse “karma” de Jornalista, e apliquei para o registro junto ao Ministério do Trabalho.

Aqui, pausa para uma anedota: quando tive dinheiro para ir à cidade vizinha e encaminhar vários processos burocráticos em atraso desde a formatura, solicitei o registro de Engenheira junto ao CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e de Jornalista junto à Delegacia do Trabalho no mesmo dia. Adivinhem qual registro saiu sem problemas e bem antes? Isso mesmo, de Jornalista. O de Engenheira demoraria ainda quase um ano. Sinal do destino?

Como disse antes, esse emprego não foi muito bom, e fiquei um pouco confusa quanto ao que fazer depois. Para o mercado de Engenharia, as coisas são um pouco mais difíceis e rígidas. Eu sabia que ia precisar de requalificação e também refazer meus laços, pois eu vim morar no interior da Bahia. Meus contatos profissionais estavam todos no Sul.

Assim que o trabalho na rádio terminou, deparei-me novamente com o desafio: como viver o resto da minha vida sem trabalhar do jeito clássico para engenheiros, ser útil para humanidade, ganhar um dinheiro com isso e manter certa liberdade para seguir minhas práticas espirituais? Desafiador. Mas o universo é generoso. Ele não faz a pergunta sem ao mesmo tempo oferecer a você a resposta. O importante é fazer você entrar no processo de transformação e desenvolvimento pessoal, mais do que encontrar resposta. Mas para colher os frutos, é preciso trabalhar e semear primeiro.

Assim, fui trabalhar como que tinha. Do centro budista, ganhei o notebook que hoje é minha ferramenta de trabalho. A generosidade de um amigo geek garantiu que meu computador fosse configurado maravilhosamente. Ele também me ensinou o básico do Inkscape, habilidade que acabou sendo útil para começar a desenhar no computador também. Essa capacidade de iniciativa, a meu ver, é essencial para o perfil freelancer assim como para o perfil empreendedor.

E o que mais eu tinha? A curiosidade incessante. “Então é nóis.”, pensei, e desatei a fazer todos os cursos possíveis gratuitos e de qualidade pela internet. A generosidade de outro amigo garantiu que eu tivesse internet, água, luz, comida, um teto e um lugar confortável para dormir enquanto me requalificava. Foi num dos mais de 15 cursos online que fiz nesse período que joguei no Google o termo “redação freelancer pela internet”. E voltou a Contentools.

Inicialmente, não entendi direito o que precisava. Admito que voltar ao mundo convencional foi um processo difícil e confuso. Porém, com o tempo e paciência, fui entendendo um pouco mais. Eventualmente, entendi que havia pré requisitos para me candidatar para trabalhar na plataforma. Fui me qualificar, e em setembro de 2017 fui chamada, apenas alguns dias após ter enviado o currículo. Em outubro recebi minha primeira indicação e a redação freelancer se tornou realidade.

A formação de Engenheira Florestal me deu mais do que várias analogias florestais e uma profissão; deu-me um amplo espectro de possibilidades de ser útil ao mundo e a mim mesma. Assim, fui procurar melhorar aquilo que sempre foi meu “diferencial de mercado”, por assim dizer, que é a capacidade de comunicação e a coragem para viver um estilo de vida não convencional.

E agora, sossegou o facho?

Juro que meus amigos me perguntam isso periodicamente. Ou então “em que parte do Brasil você está agora?” Pois é. A mente é engenheira, mas o coração é andejo…

Hoje o trabalho na Contentools como freelancer me oferece a liberdade de movimentos que preciso para seguir me desenvolvendo, porém sem perder o contato com a realidade do mercado de trabalho. Através das diferentes pautas que me são oferecidas, consigo abstrair para compreender as múltiplas realidades que originam as diferentes demandas. É uma forma de me manter conectada e reconhecer a interdependência entre todos os seres e o fluxo de informações.

Mas sim, sosseguei um pouco. Ainda viajo muito, pois periodicamente faço retiros para reencontrar meu professor, para visitar pessoas e a trabalho. Tenho atuado também como consultora ambiental. Escolhi morar no interior da Bahia, por razões óbvias (sim, é um paraíso tropical) e não tão óbvias (o custo de vida é bem menor). Assim, ser freelancer me permite ter bastante qualidade de vida, mesmo quando o trabalho está pouco.

Com a estabilização dos clientes, consegui criar um fluxo de trabalho que funciona bem para mim e atende as demandas de quem me procura. Com isso, também estou desenvolvendo meus próprios projetos que usam estratégias de marketing de conteúdo, tais como o darmazine, projeto que comecei no centro budista e que, sem eu saber, já era de conteúdo.

O trabalho de redatora freelancer também está me permitindo entrar em contato com empresas do setor, além de oferecer uma renda estável o suficiente para garantir que eu consiga pagar minha pós graduação. Quero voltar a atuar em campo como Engenheira Florestal, dessa vez no âmbito da recuperação de áreas. Plantar florestas, claro que sim! Mas certamente a estratégia de marketing que vou adotar para isso será inbound e terá conteúdo de qualidade.

A experiência na Contentools está sendo muito preciosa. Apesar de não termos um local de trabalho convencional, os conflitos básicos desses ambientes seguem. Quer dizer, pode ser que o escritório seja agora virtual, mas as pessoas seguem sendo pessoas, com problemas de pessoas e soluções de pessoas. Então mesmo virtual, me sinto próxima das pessoas, e tendo que melhorar sempre minhas habilidades de relacionamento. Nesse sentido, ser freelancer é até mais enriquecedor, pois convivemos com os mais diversos perfis de clientes.

Em resumo, trabalhar como freelancer na Contentools um desejo quanto uma consequência natural das habilidades que tenho. Através da plataforma, tenho conseguido seguir com meus projetos pessoais, tais como a pós graduação e o zine, e melhorar habilidades importantes, tais como a de relacionamento interpessoal e a de redação.

Ainda que minha paixão seja a Engenharia Florestal, estou descobrindo que é possível conciliar duas habilidades e prestigiar ambas, trazendo conteúdo de qualidade e que inspire as pessoas a terem a coragem de viver a vida que consideram ideais para si.

Não é fácil, mas é simples e vale a pena.

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